quarta-feira, 25 de junho de 2014

Corisco e Dadá

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Cristino Gomes da Silva Cleto, conhecido como Corisco, nasceu em 1907, na localidade de Matinha de Água Branca, no Estado de Alagoas. Com o passar dos anos, ficou belo como um galã de cinema: possuía boa estatura, ombros largos, pele alva e cabelos louros e longos. Além desses atributos, ele era dotado de grande força física e de uma coragem extraordinária. Em agosto de 1926, entrou para o bando de Lampião,  recebendo o apelido de Corisco seqüestrou Sérgia Ribeiro da Silva, a Dada, quando ela tinha, apenas, treze anos de idade. À força, colocou-a na sela do seu cavalo e fugiu pela caatinga. Dadá era morena, tinha cabelos pretos e 1,70 m de altura. Quando foi desvirginada brutalmente pelo Diabo Louro, a adolescente sofreu uma hemorragia tão intensa que quase morreu. Com o passar do tempo, porém, Corisco se tornou mais delicado, e o ódio sentido por ela se transformou, primeiro, em simpatia e, depois, em imenso amor.
Da mesma forma que a treinou para o uso de diversos armamentos, Corisco ensinou Dadá a ler, a escrever e a contar. Por sua grande coragem, ela era tão admirada pelos bandidos que certos chefes de bandos ressaltavam: Dadá vale mais do que muito cangaceiro! Com o Diabo Louro, ela teve sete filhos, mas apenas três deles conseguiram sobreviver. De 1921 a 1934, Lampião dividiu seu bando em vários subgrupos, dentre os quais os chefiados por Corisco, Moita Brava, Português, Moreno, Labareda, Baiano, José Sereno e Mariano. Para o rei do cangaço, entretanto, o de Corisco sempre foi o bando mais importante de todos. Além de comparsas, os dois eram, ainda, grandes amigos.
Quando Lampião foi morto, Corisco e Dadá estavam na fazenda Emendada, em Alagoas. Com a morte do chefe do bando, Corisco assumiu o comando do bando. Mas, em 1939, durante um duro combate contra três volantes, na fazenda Lagoa da Serra, em Sergipe, ele foi ferido e nunca mais se recuperou: ficou com a mão direita ficou paralisada e o braço esquerdo atrofiado. A partir desse dia, Dadá se tornou a primeira (e única) mulher no cangaço a utilizar um fuzil. Um ano depois, Corisco dissolveu o bando. Apenas na companhia de Dadá, de Rio Branco e da mulher dele partiu para o sul da Bahia, à procura de um refúgio seguro. Iniciou, então, uma longa jornada pelo sertão. Para evitar ser reconhecido, vestiu-se de vaqueiro, cortou os longos cabelos loiros, aboliu o chapéu e as roupas do cangaço e, com todo o ouro que juntara durante todos aqueles anos, planejou ter uma vida diferente. No dia 5 de maio de 1940, por fim, na região de Brotas de Macaúbas, na Bahia, uma volante cercou o que restou do grupo e Corisco foi atingido na barriga por uma rajada de metralhadora. Ficando com os intestinos à mostra. Naquele mesmo conflito, Dadá foi atingida na perna, mais tarde amputada, mas só faleceu em 1994.
A bravura e a crueldade de Corisco foram celebradas pelo cineasta Glauber Rocha, emDeus e o diabo na terra do sol. Em uma das cenas antológicas, o cangaceiro respondia ao seu perseguidor que se entregaria, somente, em outra vida. Quem conhece os fatos históricos, porém, sabe que, no derradeiro conflito, ao ser atingido mortalmente pelos projéteis, Corisco gritou, apenas: Maior são os poderes de Deus!

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